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Características

Verão com Diabetes Mellitus tipo 1

Com a chegada do calor, as atividades ao ar livre passam a ser cada vez mais frequentes. As crianças e jovens com diabetes tipo 1 (DM1) podem realizar qualquer atividade, mas têm a necessidade de se fazerem acompanhar de insulina, glucómetro, tiras teste, açúcar e snacks, o que torna importante haver um planeamento prévio dessas atividades.

A insulina

A insulina é fundamental e insubstituível no tratamento da DM1. Segundo Danne T. et al (2014) a insulina perde cerca de <1% da sua eficácia quando armazenada em temperatura ambiente durante 4 semanas e cerca de <0.1% da sua eficácia quando armazenada no frigorífico no mesmo período de tempo. Assim podemos perceber que o armazenamento da insulina é importante para garantir a sua eficácia e segurança. Tendo em conta estes fatos, é importante reter algumas informações úteis:

  • A insulina perde a sua eficácia em temperaturas extremas. Esta, quando não está a ser utilizada, deve ser armazenada dentro do frigorífico a temperaturas entre os 2 a 8ºC. Deve-se evitar colocar a insulina encostada ao fundo do frigorífico, porque pode congelar e perder eficácia. Nunca coloque a insulina no congelador;
  • Após a abertura do cartucho esta só pode estar a uso durante 4 semanas, pelo que se sobrar insulina após esse período, deve ser descartada;
  • A insulina deve ser resguardada da luz solar direta ou do aquecimento excessivo, principalmente nos países com clima muito quente ou tropical;
  • Se notar alguma alteração no aspeto da insulina (precipitado, aspeto turvo ou fibroso em insulinas que são translúcidas, aglutinação de partículas dentro do frasco, congelamento da insulina ou descoloração) deve ser rejeitada;
  • Não armazene a insulina perto de aparelhos de ar condicionado, ventoinhas ou radiadores, para evitar temperaturas extremas ou grande variação das mesmas;
  • Retire a insulina do frigorífico algum tempo antes de a utilizar para ela ficar à temperatura ambiente e minimizar a dor;
  • A insulina deve ser desperdiçada após o fim do seu prazo de validade.

Os meses de verão são normalmente os meses mais quentes do ano e também o período do ano mais escolhido para as famílias viajarem. A DM1 não contraindica a realização de nenhuma viagem, pelo que as crianças e jovens podem fazê-lo tendo em conta alguns cuidados específicos. Em qualquer viagem, as pessoas com DM1 devem assegurar-se que levam o material necessário para a sua estadia. É importante fazerem-se acompanhar de glucómetro para avaliação de glicemia e cetonemia (incluindo glucómetro suplente) e das respetivas tiras, de glucagen, insulina, canetas de insulina (incluindo caneta suplente), agulhas para a caneta de insulina, agulhas para puncionador do dedo. Deve-se ter em conta, que o material a levar deve ser o dobro do que se vai necessitar normalmente. A realização de atividades fora do habitual, pode gerar necessidades de mais pesquisas para ajuste de doses.

Em qualquer viagem ou atividade deve trazer consigo açúcar, sumo açucarado, gel ou pastilhas de glicose caso seja necessário corrigir alguma hipoglicemia. A quantidade de glicose ou açúcar a ingerir depende do peso da pessoa. Aconselhe-se com a sua equipa de saúde sobre a quantidade de açúcar ou glicose que deve ingerir.

Para completar o tratamento da hipoglicemia, deve ingerir hidratos de carbono de absorção lenta. Assim,  leve consigo alguns snacks para essas ocasiões.

Outros aspetos a considerar são fazer-se acompanhar pelo cartão europeu de saúde, caso a viagem seja dentro da Europa. Deve também pesquisar qual a denominação e concentração das insulinas que se utiliza habitualmente no país para onde vai viajar, caso seja necessário a aquisição de alguma extra.

Se viajar para um país com um fuso horário diferente, contate previamente a sua equipa de saúde para ajustar os horários de administração de insulina.

Por último, qualquer pessoa que viaje deve levar consigo uma “pequena farmácia” com medicamentos e aconselhar-se com o seu médico assistente.

Viagens de avião:

Quando se viaja de avião deve levar consigo uma declaração médica em várias línguas (pelo menos em português e inglês) para passar na segurança do aeroporto sem problemas. Para além disso, aconselha-se chegar algum tempo antes pois facilita caso haja alguma necessidade de controlo de bagagem. Um dos aspetos mais importantes neste tipo de viagens é levar  consigo insulina, tiras e glucagen (na cabine), pois minimiza-se o risco de extravio, mas sobretudo, protege-se estes medicamentos de serem sujeitos a grandes variações de temperatura, gerados pela passagem nas diferentes camadas da atmosfera. É também muito importante levar consigo uma caneta e glucómetro extra na mala de porão.

Preparar a Insulina

Caso perca ou parta a sua caneta de insulina, existe uma alternativa válida para continuar a administrar a mesma. Em muitas farmácias, quer em Portugal quer no estrangeiro, comercializam-se pequenas seringas descartáveis com agulha do tamanho que utiliza habitualmente. Com estas pequenas seringas pode retirar insulina dos seus frascos de insulina habituais e administrar as doses que necessita, até conseguir adquirir uma nova caneta.

Se utiliza uma bomba de insulina, deve utilizar o termo “insulin pump” na segurança do aeroporto. O termo “bomb” pode ser mal interpretado e criar alguma situação menos agradável. É igualmente importante levar consigo canetas para fazer esquema de insulina alternativo com estas, caso haja algum problema com a bomba de insulina. Não se esqueça de levar o material necessário para a substituição do sistema da bomba.

Viagens de carro:

Para além dos conselhos acima referidos, deve ter em conta que o carro quando está ao sol funciona como estufa, pelo que deixar a insulina ou glucagen dentro do carro não é normalmente uma boa decisão. Deve por isso proteger a insulina ou glucagen do calor, colocando-os dentro de uma embalagem que mantenha a temperatura (geleira por exemplo). Os termoacumuladores (vulgarmente designados por cuvetes) que promovem o arrefecimento não devem ser colocados encostados à insulina ou glucagen, pois podem estar demasiado frios e congelarem os mesmos. Pode assim embrulha-los num pano antes de colocar dentro da geleira para minimizar esse risco.

Se viajar dentro do país, pode levar consigo receitas de insulina, tiras ou glucagen em vez do material extra e assim levantar apenas o material que necessita à medida que vai gastando.

Outras atividades:

Kit

Quando falamos de verão, no imaginário dos jovens com DM1 surgem as palavras praia e festivais de verão. Estas atividades, implicam algum planeamento para que tudo corra bem. Nestas atividades, a ausência de lugar fresco e o sol podem alterar facilmente a eficácia da insulina. Por isso deve protegê-la. Hoje em dia existem várias formas de o fazer: existem bolsas protetoras que se compram nas farmácias que mantêm a temperatura constante durante várias horas.

Senão tiver disponibilidade para a aquisição destas bolsas, as tradicionais geleiras com cuvetes são igualmente eficazes.

Para além disso, não se esqueça dos cuidados com o sol. Aplique protetor solar e procure evitar as horas de maior calor para a exposição solar.

 

Com o calor também é importante reforçar a ingestão de líquidos, pois perdemos mais líquidos pela transpiração. O aumento da ingestão de água é muito importante.

O que fazer com as agulhas, tiras ou cartuchos de insulina?

Outro aspeto que deve ter em conta é o material desperdiçado. As agulhas, tiras e cartuchos utilizados devem ser colocados no lixo com segurança. Senão tiver ao seu dispor um contentor apropriado, pode colocá-los numa garrafa de água já utilizada e quando a encher, enrosque bem a tampa e coloque-a no contentor do lixo comum.

A mensagem para este verão é, aproveite o bom tempo e divirta-se!

Bibliografia

American Diabetes Association (2014). Insulin Storage and Syringe Safety [em linha]. Acedido a Junho 6, 2015, em http://www.diabetes.org/living-with-diabetes/treatment-and-care/medication/insulin/insulin-storage-and-syringe-safety.html.
BD (2015). How to store and handle insulin [em linha]. Acedido a Junho 6, 2015, em http://www.bd.com/us/diabetes/page.aspx?cat=7001&id=7247.
Danne Thomas, et al (2014). ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2014 Compendium: Phases of type 1 diabetes in children and adolescents. Pediatric Diabetes, vol 15 (Suppl. 20), P. 115-134.
FDA (2015). Information Regarding Insulin Storage and Switching Between Products in na Emergency [em linha]. U. S. Food and Drug Administration. Acedido a Junho 6, 2015, em http://www.fda.gov/Drugs/EmergencyPreparedness/ucm085213.htm.
Grajower M, et al (2003). How Long Should Insulin Be Used Once a Vial Is Started?. Diabetes Care, volume 26 (Number 9), P. 2665-2668.

Autor:

Duarte Matos

Enf. Duarte Matos,
Enfermeiro da Pediatria da APDP

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