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Características

Vamos espreitar os Hidratos de Carbono?

Os alimentos são constituídos por vários nutrientes que desempenham diversas funções no organismo. É possível classificar estes nutrientes como energéticos e não energéticos, ou como, macro e micronutrientes, respectivamente.

As vitaminas, os minerais e a fibra são os nutrientes não energéticos ou micronutrientes que, apesar de serem necessários em menores quantidades, são essenciais para o funcionamento adequado e equilibrado do organismo.

Os nutrientes energéticos ou os macronutrientes são, como a própria denominação nos indica, os nutrientes que fornecem energia e como tal são necessários em maior quantidade, existindo nos alimentos também em maior quantidade. Estes nutrientes são os hidratos de carbono, as proteínas e as gorduras.

Pelo fato de quase 100% dos hidratos de carbono, que se ingerem num determinado momento, se transformarem em açúcar (glicose) no sangue após o processo digestivo, é sobre este nutriente que este artigo se vai debruçar.

O que são os hidratos de carbono?

Os hidratos de carbono são moléculas constituídas por átomos de carbono, hidrogénio e oxigénio numa relação de 1:2:1, respetivamente. A unidade mais simples dos hidratos de carbono são os monossacarídeos e os mais comuns são a glicose, a frutose e a galactose (Imagem 1).


Imagem 1 – Estrutura molecular da frutose, glucose e galactose. O organismo utiliza mais facilmente a glicose como energia, por isso, a galactose é transformada em glicose para que possa ser usada como fonte energética.

 

Os dissacarídeos são constituídos por dois monossacarídeos e os polissacarídeos são cadeias mais longas. As fibras alimentares são também hidratos de carbono, no entanto o organismo não tem enzimas que consigam digeri-las.

A nível nutricional podem dividir-se os hidratos de carbono em simples e complexos. Em que os simples englobam os mono e os dissacarídeos e os complexos os polissacarídeos. A Tabela 1 resume toda esta classificação.

 

Que funções desempenham? 

Os hidratos de carbono são fonte e armazenamento de energia, e também podem ser considerados como poupadores dos outros macronutrientes (proteínas e gordura).

A principal função dos hidratos de carbono é, sem dúvida, fornecer energia para todas as células do organismo. Há células que utilizam apenas a glicose como fonte de energia, como os glóbulos vermelhos e as células cerebrais que se apresentam muito sensíveis aos níveis de glicose.

Quando as células já têm a energia que precisam, a glicose ainda presente é transformada em glicogénio (Imagem 2) e armazenada tanto no fígado como a nível da massa muscular, funcionando como reserva de energia. As reservas do fígado são acionadas quando se verifica valores de glicemia (açúcar no sangue) baixos (hipoglicemia), já as reservas musculares são ativadas quando o músculo é movimentado.

 

Imagem 2 – A complexa estrutura do glicogénio.

Os hidratos de carbono podem ser considerados poupadores dos outros macronutrientes, uma vez que, se o organismo não consegue utilizar a glicose como fonte de energia (por baixa ingestão ou por falta de insulina para que a glicose entre nas células), irá recorrer às proteínas e às gorduras como fonte energética. Como não existem reservas de proteína, o organismo vai obtê-las por destruição muscular. Mas da utilização da gordura como fonte energética resultam os corpos cetónicos que, em concentrações elevadas tornam o sangue muito ácido, resultando em cetoacidose (situação mais comum em pessoas com Diabetes Tipo 1 pela total ausência de produção de insulina).

Que quantidade de hidratos de carbono se deve ingerir?

Como já foi referido, se existir glicose em excesso há a produção de glicogénio, e se for atingido o limite destas reservas, a glicose é transformada em gordura e armazenada no tecido adiposo por um período de tempo mais prolongado. Pelo que, como acontece com qualquer macronutriente, a ingestão de hidratos de carbono em excesso irá contribuir para o aumento de peso.

Sendo o nutriente fornecedor de energia por excelência, as necessidades diárias dependem, entre outros factores, da atividade que se pratica regularmente, e não da existência de Diabetes. As mais recentes orientações da Associação Americana de Diabetes (ADA) não estabelecem uma percentagem das necessidades energéticas totais, ideal para pessoas com Diabetes. Já a Associação Europeia para o Estudo da Diabetes (EASD – European Association for the Study of Diabetes) refere que os hidratos de carbono devem perfazer entre 40 a 65% das necessidades energéticas totais.

Para saber o que será mais adequado para si não deixe de consultar um Dietista ou Nutricionista com experiência em Diabetes.

Como é que a quantidade de hidratos de carbono afeta a glicemia?

Por serem decisivas na resposta glicémica, todas as orientações fazem referência à importância de perceber as quantidades de hidratos de carbono a cada refeição, e estas, correspondendo às necessidades individuais, devem ser adaptadas ao esquema terapêutico instalado.

O principal objectivo da terapêutica nutricional é garantir uma alimentação saudável, equilibrada e variada, o que não irá acontecer sem ter em conta as preferências, horários, hábitos de cada um, bem como os objectivos individuais e metabólicos.

Como diz Alexandra Costa no artigo “Ter diabetes aos 10 anos em 1995”, há alguns anos atrás a disponibilidade ou variedade terapêutica não era como é hoje, tornando a alimentação uma questão muito rígida e algo restritiva. Hoje em dia temos disponíveis várias terapêuticas, tanto em antidiabéticos orais como em insulinas, que dão uma flexibilidade diferente. No entanto, é muito importante saber identificar os alimentos que têm hidratos de carbono e perceber as quantidades que se ingere, seja para tentar manter essas quantidades constantes (esquemas terapêuticos convencionais ou que não se modificam todos os dias) ou para contar os hidratos de carbono ingeridos e adaptar a dose de insulina a administrar (esquemas terapêuticos intensivos).

O que é o índice glicémico?

O Índice Glicémico de um alimento pode resumir-se à capacidade que o alimento tem de aumentar a glicémia durante a sua digestão. Esta capacidade é comparada com o pão branco em algumas tabelas e em outras com a glicose.

De modo geral, os hidratos de carbono mais simples têm uma digestão mais rápida, e por isso um índice glicémico mais elevado, causando picos na glicemia mais elevados e sensação de fome mais cedo. Já os hidratos de carbono mais complexos ao terem uma digestão mais lenta têm geralmente um índice glicémico mais baixo, promovendo a saciedade mais prolongada.

O índice glicémico não deve ser utilizado como conceito isolado uma vez que é influenciado por uma série de factores como o tempo e modo de confecção do alimento, a sua combinação com outros alimentos (gordura e fibra), o tipo de hidratos de carbono mais presente, entre outros.

A quantidade de hidratos de carbono ingerida numa determinada refeição continua a ser um fator prioritário na resposta glicémica a essa refeição.

Afinal... como escolher?

A escolha deve ter em conta as necessidades individuais e o esquema terapêutico em curso. As orientações referem que a preferência por alimentos com índice glicémico mais baixo contribuem para um melhor controlo glicémico, o que não quer dizer que seja uma escolha obrigatória.

Torna-se importante fazer escolhas saudáveis e variadas, com baixo teor em gordura e sal e que sejam ricas em fibra. E lembre-se… é mais importante as escolhas do dia-a-dia, do que as escolhas ocasionais

Bibliografia

- Associação Portuguesa de Dietistas. Os nutrientes. Acedido a 20 de Junho 2015.

- European Food Information Council. Carbohydrates. Acedido a 21 de Junho 2015.

- European Society of Cardiology Committee for Practice Guidelines. ESC Guidelines on diabetes, pre-diabetes, and cardiovascular diseases developed in collaboration with the EASD (2013)

- An introduction to nutrition (2012). Acedido a 20 de Junho de 2015. 

 

AUTORA: 

Lúcia Narciso

 

 

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