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Características

Terei mesmo que fazer dieta…?!

Segundo o dicionário da língua portuguesa, a palavra dieta significa regime alimentar que satisfaz as necessidades particulares de uma pessoa, e dentro desta definição pode afirmar-se que dieta é a forma como se escolhe, confecciona e combina os alimentos no dia-a-dia de modo a preencher as necessidades individuais, e assim sendo, toda a população faz dieta.

Contudo, a alimentação do ser humano é influenciada por vários factores, uma vez que o acto de comer ou de fazer dieta engloba um comportamento, uma decisão, que pode ser influenciada por factores biológicos, mas principalmente por factores sociais e culturais, por aspectos relacionados com a facilidade de encontrar determinados alimentos naquela época do ano ou naquele lugar, e também com a capacidade financeira, sendo este um aspecto determinante nos dias de hoje.

Por isto, fazer dieta é um conjunto de acções que determinam a escolha alimentar, que acabam por se tornar hábitos e certamente em estilos de vida, apesar do termo ser utilizado muitas vezes para designar regimes alimentares em situações particulares, como para a perda de peso ou adaptados a uma determinada doença.

Num contexto de cuidados alimentares específicos estamos perante alterações à dieta habitual e não à dieta em si, o que não significa deixar de ter prazer em comer, mas sim de reinventar a forma como se escolhe e combina os alimentos, de moldar as decisões e comportamentos. Pode e deve servir como uma óptima forma de descobrir novos sabores e novos saberes.

Avaliação Nutricional É um passo importante para se poder identificar a necessidade de fazer alterações à dieta habitual da pessoa. Ao chegar a uma descrição nutricional, que permita ao profissional (dietista ou nutricionista) o cálculo das necessidades energéticas da pessoa e a identificação daqueles em risco nutricional, torna possível uma melhor e mais adequada intervenção dietética.

A avaliação nutricional pode dividir-se em 3 componentes: história alimentar, medidas antropométricas e avaliação física e bioquímica, que devem servir de base para percepcionar o que pode estar a influenciar ou a ser uma consequência do estado nutricional da pessoa.

De um modo geral, a história alimentar abrange os hábitos alimentares da pessoa, esta informação poderá ser conseguida através da recordação do consumo alimentar habitual ou do dia anterior ou até mesmo através de um registo alimentar completo de modo a encontrar um padrão alimentar. É também importante compreender o que envolve esses mesmos hábitos, e perceber uma série de outras rotinas e afazeres do dia-a-dia. A presença de alergias ou intolerâncias aos alimentos é um aspecto essencial, assim como preferências e idiossincrasias alimentares; as alterações de peso; entre outros aspectos que se revelem importantes.

As medidas antropométricas incluem sempre a medição do peso actual e da altura, o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) e a medição do perímetro da cintura. Seria pertinente, em alguns casos, a avaliação da composição corporal, ou seja, a determinação da percentagem de massa gorda, de massa magra, de água, entre outros aspectos (dependendo do aparelho utilizado para essa avaliação), com o objectivo de complementar e algumas vezes rectificar a informação obtida com o IMC.

A avaliação física compreende a observação de alguns aspectos físicos que possam traduzir deficiências ou excessos nutricionais (o cabelo, os olhos, as unhas, entre outros) e a avaliação bioquímica refere-se às últimas análises sanguíneas e/ou à urina ou a exames complementares que possam fornecer ao profissional dados importantes na definição da estratégia nutricional a seguir.

Pensamento As necessidades energéticas indicam o que uma determinada pessoa precisa de ingerir diariamente, de modo a garantir as funções vitais ou básicas do organismo e também para colmatar as funções adicionadas pela pessoa, como a actividade física. Existem variadas fórmulas para este cálculo. É importante estabelecer a diferença entre necessidades energéticas e necessidades nutricionais: necessidades energéticas referem-se às calorias, mas a divisão dessas calorias pelos nutrientes já se enquadra nas necessidades nutricionais.

Existem múltiplos factores que influenciam as necessidades energéticas. Há que considerar os gastos de energia enquanto se está de repouso. Sim, porque existem funções no organismo que exigem energia e não fazem repouso. A respiração e o batimento cardíaco ou até mesmo a manutenção da temperatura corporal, e a própria digestão dos alimentos, são exemplos dessas funções. Por outro lado, existem gastos energéticos com as actividades diárias sejam elas programadas ou não. Qualquer tipo de actividade física e/ou exercício físico, bem como as actividades da vida diária (actividades relacionadas com o autocuidado, as tarefas domesticas e a simples deslocação) requerem energia. Todos estes factores que determinam as necessidades energéticas sofrem a influência de outros aspectos como a idade da pessoa, o género, a altura, o peso e a composição corporal, o estado fisiológico ou de saúde, entre outros.

Após encontrar as necessidades energéticas, há que transpor isso para as necessidades nutricionais e para alimentos a ingerir. A divisão destas calorias pelos vários nutrientes pode variar consoante o plano alimentar a definir, no entanto é importante ter sempre em conta que a maior percentagem deve advir dos hidratos de carbono, mesmo em pessoas com diabetes.

Existem estados fisiológicos ou de saúde que também afectam as necessidades energéticas, umas podem requerer mais energia e outras em que a necessidade é oposta. O caso da Diabetes não se encaixa em nenhum destes, porque simplesmente as necessidades energéticas e nutricionais não estão alteradas. O que acontece é que aproximadamente 90% da população com diabetes apresenta excesso de peso (49.2%) ou obesidade (39.6%), e nestes casos é necessário criar um diferencial energético que permita a perda de peso, caso contrário a quantidade de energia consumida poderá ser igual ou superior à energia que se gasta e como consequência poderá obter-se uma manutenção do peso corporal ou um ganho de peso, respectivamente.

Plano Alimentar Um plano alimentar difere do conceito de dieta uma vez que resulta do manuseamento de uma série de alimentos com objectivos específicos. É um plano de acção, que muito provavelmente implicará mudanças nos hábitos e comportamentos alimentares, por esta razão é importante que exista também uma reavaliação, um momento esclarecedor e de partilha de dificuldades, ou seja, um acompanhamento regular por parte do dietista ou nutricionista.

Elaborar um plano alimentar não é fácil. Como já foi referido, há que ter em conta vários aspectos determinantes das necessidades de cada pessoa, e para isso contar com a ajuda de uma dietista ou nutricionista é fundamental. Um bom plano alimentar será aquele que:

• Vai de encontro às necessidades energéticas e também nutricionais da pessoa, tendo em consideração aspectos que possam alterar estas mesmas necessidades (o desporto intenso e/ou a nível profissional, a gravidez e o aleitamento, entre outros exemplos)

• Resulta de uma boa avaliação nutricional, tanto pela história clínica e alimentar como pela avaliação antropométrica (peso, altura, composição corporal),

• Proporciona uma correcta conjugação de alimentos, garantindo uma variedade suficiente para que estejam disponíveis todos os nutrientes (macro e micronutrientes),

• Tenha em conta a interacção entre os alimentos/nutrientes e a medicação,

• Tenha em conta as preferências e idiossincrasias, os hábitos e rotinas da pessoa, as crenças, os aspectos culturais e sociais, o acesso aos alimentos,

• Seja de fácil interpretação e de acordo com os objectivos.

É bastante frequente encontrar uma relação quase oposta entre os objectivos da pessoa e os objectivos do profissional de saúde. E quando se fala em alimentação e peso, compreende-se que seja ainda mais comum. Por isso há que ajudar a pessoa a definir objectivos que sejam realistas, que se refiram a algo específico e não a uma ideia abstracta ou longínqua, que sejam possíveis de atingir e medir, e que sejam também definidos no tempo – objectivos SMART, para que se mantenha a motivação e empenho.

Como já foi referido fazer dieta é um conceito relativo, uma vez que simplesmente caracteriza os hábitos alimentares de cada um. Podem ser hábitos menos saudáveis e menos protectores da saúde e, nesses casos, sim é necessário mudar o comportamento alimentar.

Qualquer mudança, principalmente se são hábitos de muitos anos, não será fácil nem de um momento para o outro. No entanto, perceber o porquê dessas alterações e com que intenção estão a ser propostas, ter acompanhamento periódico para tirar dúvidas, ter mais alternativas e ajustar melhor o plano alimentar, e principalmente ter objectivos concretos, são factores que poderão facilitar o processo de mudança.

Recorrer a uma dietista ou nutricionista é sempre a melhor opção quando se pretende ter uma alimentação saudável e adaptada aos cuidados e objectivos pessoais. Certifique-se que esse profissional é creditado para o fazer pela Ordem dos Nutricionistas.

Fontes de Informação

Dicionário da Língua Portuguesa

Castanha um Fruto Saudável – Projeto AGRO 939.

Associação Portuguesa de Dietistas

Associação Portuguesa de Nutricionistas

Programa Nacional para a Promoção de uma Alimentação Saudável – PNPAS – Nutrimento

Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes – Edição 2015.

 


 

AUTORA: 

Dra. Lúcia Narciso, Dietista da APDP

 

 

 

 

 

 

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