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Características

Férias com (da) Diabetes tipo 1

Ter uma doença crónica implica viver com a diabetes para sempre e todos os dias. Não dá tréguas, nem conseguimos tirar férias. Mas há truques!

Para que a diabetes esteja compensada, precisamos dedicar-nos todos os dias a nós próprios. Fazer contas para dar a insulina, coordenar com a atividade física, prever a intensidade do exercício físico, escolher o que comemos e a que horas comemos, pensar no tipo de alimentos que ingerimos devido à influência que podem ter na glicemia ao longo das horas seguintes, pesar a comida, gerir o stress e ansiedade e saber que há glicemias altas que podem derivar apenas de emoções ou estados de espírito, corrigir hipoglicemias, prevenir grandes oscilações na glicemia, etc etc etc… Se soubermos gerir todas estas vertentes, podemos ter um período de maior descanso nas férias, pois com a glicemia controlada ao longo da vida tudo se torna mais fácil.

Férias com boas glicémias

Quando era criança passava férias com a minha família no Algarve. A minha mãe costumava dizer “Se calhar é dos ares do Algarve, os teus valores andam sempre tão bons nas férias!”. Estar de férias implica estarmos mais descontraídos. Em tudo, até na comida. Depressa percebemos que as minhas glicemias boas se deviam a estar num clima de paz e diversão com a minha família. Com poucas restrições alimentares, com menos pormenores no cuidado da diabetes, glicemias boas sem grande trabalho, tudo fluía com facilidade. Não esquecendo que o calor também contribui para que a glicemia desça “A insulina é absorvida mais rapidamente a partir do local da injecção se a pessoa estiver muito quente e que isso pode originar uma hipoglicemia inesperada” (Hanas, 2007: 301). Resumindo, férias é sinónimo de boas glicemias para mim e era um descanso para os meus pais.

Entre canetas e bomba infusora de insulina

Bomba de insulina

Durante 16 anos usei canetas de insulina, e desde 2011 tenho bomba infusora de insulina. Este ano decidi substituir a bomba pela terapia com canetas durante as minhas férias na praia. A mudança ajudou a ter um pequeno descanso, nem que seja por não ter que pensar onde prendia a bomba ao usar os habituais vestidinhos de praia (sim, quem tem bomba tem que pensar nestes pormenores), ou também não ficar com a marca do cateter na praia. Mas já houve anos em que a bomba foi comigo para a praia, e então arranjei uma estratégia: colocava a bomba numa bolsa térmica apropriada para o efeito, e tinha a garantia de que a insulina era conservada mesmo estando ao sol.

Regras que não tiram férias

Saídas à noite, festivais de verão, acampamentos, piscinas aquecidas, saunas, mudanças de clima… Se queremos divertir-nos e descansar, não tendo a diabetes como preocupação, temos que ser responsáveis, saber o que fazemos e quais os cuidados que devemos ter.

Fui habituada desde criança a ter determinadas regras, que ainda hoje cumpro:

  • Ter sempre comigo açúcar, sumos e pão/barritas;
  • Ter sempre comigo o aparelho de glicemia;
  • Ter sempre comigo a insulina rápida (e a lenta, em caso da possibilidade de não estar em casa a horas de a dar, não ficando assim pendente da hora que se chega a casa);
  • Pôr a insulina e o aparelho de glicemia à sombra;
  • Ir para a praia com a insulina numa geleira ou bolsa térmica apropriada;
  • Em caso de caminhada na praia, mesmo que seja curta ou por pouco tempo, levar sempre açúcar;
  • Em caso de saídas à noite, ao ingerir alguma bebida alcoólica, nunca ir dormir sem comer hidratos de carbono de absorção lenta.

365 dias por ano

Nada melhor que conversar com a nossa equipa de saúde ou com os nossos pares com diabetes tipo 1 (aparece nos Encontros Mensais do NJA nas últimas 3.ª feiras de cada mês no piso 3 da APDP) para, em conjunto, percebermos qual a melhor maneira de adaptar a diabetes ao nosso estilo de férias. Se vivermos com a diabetes como nossa aliada todos os dias, nas férias podemos estar mais descansados.

Durante 365 dias por ano é fundamental medir a glicemia várias vezes por dia, dar a insulina e contar as porções que comemos. É como lavar os dentes. É para o nosso bem e devemos cumprir o tratamento da diabetes sentindo que estamos a cuidar de nós próprios. Pois isso sim, devemos fazer sempre e para sempre!

 

Bibliografia

Hanas, R. (2007). Diabetes tipo 1 em crianças, adolescentes e jovens adultos. Lisboa: Lidel - edições técnicas, Lda.

AUTORA:

Alexandra Costa

Alexandra Costa, DT1 – Coordenadora do NJA (Núcleo Jovem da APDP)

 

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