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Características

A Diabetes e os alimentos

A relação da Diabetes com os alimentos é muito próxima e o elo de ligação está, não só na interferência direta de alguns alimentos nos valores de açúcar no sangue (glicemia), como também no facto da alimentação, de forma geral, ser um determinante do peso corporal. É importante salientar que as necessidades de cada pessoa no que se refere aos vários nutrientes não se alteram com o aparecimento da Diabetes. Estas necessidades variam consoante a altura, o peso, a idade e principalmente o nível de actividade física. Assim, a alimentação de uma pessoa com Diabetes deve ser em tudo similar à alimentação que a pessoa sem Diabetes deveria ter e seguir. Acima de tudo, torna-se essencial conseguir ter uma alimentação equilibrada e protectora da saúde e uma vida fisicamente ativa.

O peso corporal influencia os valores da glicemia?

Um dos aspetos que contribuem para o aparecimento e que podem condicionar o controlo da Diabetes é o peso corporal. Uma vez que a presença de excesso de peso ou obesidade (excesso de gordura corporal) pode ser sinónimo de hábitos alimentares menos bons e maior sedentarismo, mas também é um fator que vai influenciar o modo como as células corporais respondem à presença da insulina, tornando-as mais resistentes à sua ação. É por isso importante a perda de peso, caso seja necessário, mesmo que não se alcance o peso ideal para a altura. A perda de 5 a 7% do peso atual traz melhorias metabólicas significativas. Este é um processo que pode implicar mudanças nos hábitos de vida, tanto no que se refere à alimentação, que deve ser saudável, como à prática de atividade física, que deve ser regular.

Alimentação saudável

Uma alimentação saudável é aquela que proporciona uma grande variedade de alimentos nas quantidades adequadas a cada um. Uma ferramenta que pode ajudar a compreender melhor este conceito e que representa de forma descomplicada os 

alimentos que devem fazer parte do dia-a-dia de todos, é a Roda dos Alimentos.

A Roda dos Alimentos transmite-nos três mensagens importantes:

- Deve escolher-se diariamente alimentos de todos os grupos representados – alimentação completa;

- O tamanho de cada grupo reflete as quantidades em deve ser ingerido, ou seja, grupos maiores são necessários em maior quantidade ao longo do dia e grupos mais pequenos em menor quantidade – alimentação equilibrada;

- Deve escolher-se alimentos diferentes mesmo dentro de cada grupo, variando o máximo possível – alimentação variada.

Numa alimentação saudável todos os alimentos ocupam o seu lugar, os principais segredos são a frequência e a quantidade em que são ingeridos.

Quais as vantagens?

Para além de facilitar a manutenção do peso ou a sua perda caso necessário, uma alimentação saudável contribui para um melhor controlo glicémico, ajudando a não ter valores muito altos (hiperglicemia) mas também ajuda a prevenir os valores mais baixos (hipoglicemia); para um melhor controlo lipídico (colesterol e triglicerídeos) e da tensão arterial; e contribui para a diminuição do risco de complicações associadas à Diabetes, sem perder o prazer de comer.

Pode mesmo comer-se tudo?

A resposta é claramente SIM. No entanto é necessário ter atenção e acima de tudo perceber a relação que existe entre os alimentos e os valores de açúcar no sangue (glicemia). Se há nutrientes que após a digestão e absorção significam açúcar no sangue, há outros que não. O importante é saber que alimentos encaixar numa ou noutra categoria, não evitar nenhum deles mas ingeri-los nas quantidades adequadas.

Os hidratos de carbono são a principal fonte de energia para todas as funções do organismo e fundamentais para o normal metabolismo dos outros nutrientes (proteínas e gorduras). Contudo, são o nutriente que mais influencia a glicemia após a refeição. Podem ser classificados como hidratos de carbono simples ou complexos. Dentro dos mais simples podemos encontrar a fruta, o leite e os iogurtes que geralmente apresentam uma digestão mais rápida, fazendo picos na glicemia. Já os complexos por terem uma digestão, de forma geral, mais lenta contribuem para uma maior estabilidade na glicemia, devendo estar presentes em todas as refeições. O pão escuro ou integral, as leguminosas (grão, feijão, ervilhas, favas e lentilhas), a massa, o arroz e as batatas são exemplos de hidratos de carbono mais complexos.

As proteínas são essencialmente a estrutura, a defesa, o transporte, o sistema enzimático do nosso organismo e são as responsáveis pelo movimento das células musculares. Podemos encontra-las na carne e charcutaria, no peixe, nos ovos e nos lacticínios (leite, iogurte, queijo) e estas são as proteínas de origem animal, mas também estão presentes nas leguminosas e nas alternativas vegetarianas como a soja e o seitan entre outros.

As gorduras são importantes também na estrutura das células, essenciais para a absorção de algumas vitaminas (vitaminas A, D, E e K) e para manutenção da temperatura corporal, entre outras funções. Podem ser classificadas como saturadas, hidrogenadas ou trans e insaturadas. As primeiras são mais associadas a níveis de colesterol e triglicerídeos mais elevados e encontram-se na carne, nos lacticínios e na manteiga ou natas – gordura saturada -, e nos produtos de pastelaria, bolos, salgados, molhos de saladas e na fast food – gordura trans. Das gorduras insaturadas fazem parte o Ω-3 e Ω-6 (polinsaturadas) presentes no peixe, nos frutos oleaginosos (noz, amêndoa), e cremes/óleos vegetais; e a gordura monoinsaturada presente essencialmente no azeite, óleo de amendoim e também nos frutos oleaginosos. Este tipo de gordura (insaturada) é mais protetora a nível cardiovascular uma vez que contribui para baixar os níveis de gordura no sangue (colesterol e triglicerídeos).

É por isso aconselhável preferir carnes magras como a das aves e do coelho; aumentar a ingestão de peixe para, pelo menos, 2 a 3 vezes por semana; eleger o azeite para cozinhar e temperar, e cremes vegetais em vez de manteiga.

É assim tão importante comer várias vezes ao dia?

SIM, é importante durante o dia fazer uma refeição de 3 em 3 horas e não passar mais que 8-9 horas durante a noite sem comer. Este fracionamento irá permitir um melhor controlo nas quantidades de alimentos ingeridos a cada refeição, mas também um melhor controlo dos valores de açúcar no sangue contribuindo para valores mais estáveis. No entanto, é importante adequar a quantidade de alimentos com hidratos de carbono à medicação habitual, pelo que todas as pessoas com diabetes deviam ter um plano alimentar estruturado e personalizado.

Atividade física: o que fazer, quanto tempo?

As recomendações para a atividade física devem ter em conta a condição física e de saúde de cada um, pelo que uma avaliação médica é importante para, na presença de complicações, assinalar as contra-indicações para determinado tipo de exercícios. Contudo, as pessoas com diabetes devem seguir as mesmas recomendações existentes para a população geral, que passa por fazer 150 minutos por semana de atividade física aeróbica moderada, incluindo atividades de fortalecimento muscular, sempre que possível. É desejável que o início seja gradual e que este tempo seja dividido pela semana não ultrapassando 2 dias consecutivos sem qualquer atividade.

A atividade física tem variadas vantagens: torna as células mais sensíveis à ação da insulina pelo que contribui para baixar a glicemia, sendo, por isso, importante não fazer qualquer atividade física em jejum e se a prática se tornar regular é possível haver a necessidade de alterar a medicação; melhora também os níveis de gordura no sangue (colesterol e triglicerídeos) e a circulação sanguínea; para além de ajudar a perda de peso e a diminuição da ansiedade proporcionando assim o bem-estar geral.

 

Autora

Dra. Lúcia Narciso, 
Dietista da APDP

 

 

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