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Características

O que deve saber sobre diabetes e a saúde sexual

Nos manuais de Sexologia Clínica pode observar-se que a diabetes aparece como factor de risco para o desenvolvimento de muitas disfunções sexuais. É verdade que tal pode acontecer mas, sempre de acordo com o desenvolvimento da doença e/ou fraco controlo da mesma. As disfunções sexuais são dificuldades que se apresentam em quaisquer das fases em que podemos dividir a resposta sexual. De forma a utilizar uma divisão linear simples, vamos voltar ao instituído por Masters e Johnson, que tem chegado à atualidade com algumas modificações e que estabelece a resposta sexual fisiológica em várias fases: excitação, orgasmo e resolução. Ao adicionar a "fase" do desejo, que pode realmente ocorrer a qualquer momento e que, de alguma forma, promove o impulso sexual, estão completos todos os aspetos que podem ver-se alterados pela diabetes do ponto de vista fisiológico.


Todas as doenças são susceptíveis de afetar o desejo sexual em aspetos não estritamente físicos. Dependendo da personalidade, das ideias pré-concebidas sobre a doença, a autoimagem corporal é muitas vezes modificada quando as pessoas são diagnosticadas com qualquer processo patológico. Se a autoestima é afetada, pode gerar-se um sentimento de medo da rejeição que, inconscientemente, faz com que sejam evitadas situações que envolvam contato físico e erótico. O baixo nível de desejo deve-se então a esses sentimentos e ao evitar inconsciente, não só pelo doente mas também pelo seu parceiro, que às vezes não sabe bem como se comportar. Falar com o médico sobre as questões relacionadas com a sexualidade das pessoas com qualquer diagnóstico e ter oportunidade de fazer perguntas sobre se a doença pode ou não levar a mudanças na esfera sexual, ajuda a prevenir medos infundados e a "colocar sobre a mesa" uma questão que deve ser abordada também como casal.


A comunicação é essencial e, embora a relação esteja apoiada em anos de convivência, a reação das pessoas perante acontecimentos vitais pode ser diferente, e perante a doença também. Outro aspeto que afeta o desejo do ponto de vista não puramente físico é a mudança que uma doença pode incutir no ritmo vital da pessoa com diabetes, do seu parceiro e/ou família. Isto é mais comum em doenças crónicas no início do seu diagnóstico, até que ocorram as primeiras adaptações, ou quando surgirem dificuldades que alterem as prioridades vitais.


A diabetes, como processo crónico, pode exigir uma abordagem específica à sexualidade do casal, a fim de fornecer recursos para adaptação e prevenção. O baixo nível de desejo também pode conduzir a dificuldades na fase de excitação. Os processos fisiológicos envolvidos na excitação sexual são os mais afetados na diabetes, especialmente quando não é bem controlada ou tem complicações. No homem referem-se principalmente à ereção e nas mulheres à falta de lubrificação em resposta à estimulação sexual. A ereção é causada pela dilatação do tecido vascular do pénis, permitindo que o sangue encha o corpo cavernoso, em resposta a estímulos neuronais de excitação. Para ocorrer de forma eficaz, o estímulo deve ser adequado, a neurotransmissão do mesmo também e os vasos sanguíneos devem estar saudáveis e funcionais. Às vezes um problema de disfunção erétil é um sintoma sentinela de diabetes ainda não diagnosticada; mas, uma vez controlados os níveis de glicemia, as dificuldades costumam diminuir, se não há outros fatores associados (hipertensão, tabagismo, idade acima de 45-50 anos, medicações concomitantes...).


Em geral, a diabetes bem controlada não deve em si mesmo ser um problema para a ereção e se for, pode sempre recorrer a medicamentos indicados para a disfunção eréctil, sem prejuízo dos níveis de glicemia ou controlo da doença. A prescrição desses medicamentos deve ser feita pelo médico, que também deve fornecer uma série de conselhos para melhorar a satisfação nos encontros sexuais. A falta de lubrificação na mulher é causada pelo mesmo mecanismo: a alteração da vascularização da região genital. Pode ser tratada com produtos hidratantes/regeneradores locais e lubrificantes durante as relações sexuais, se não houver outros fatores associados, como nível baixo de estrogênio no sangue devido à menopausa, o uso de certos contraceptivos hormonais, ou a presença de infecções vaginais crónicas. É uma característica da diabetes mal controlada, seja da mulher ou do seu parceiro, a aparição recorrente de candidíase vaginal (fungos), que responde mal ou brevemente a tratamento específico. Se a glicemia e glicosúria são controladas, o problema normalmente costuma diminuir, bem como o das infecções urinárias recorrentes. Quando a diabetes não é bem controlada, é preferível usar um preservativo nas relações heterossexuais para prevenir que esta infecção (que geralmente não é sexualmente transmissível) seja transmitida entre o casal.

Sa diabetes tem uma longa evolução e se aparecem complicações neurológicas ou vasculares, pode ser mais complexo tratar com sucesso estas disfunções, além de surgirem outros incidentes, tais como dificuldade em atingir o orgasmo, em ambos os sexos. Note que: o controlo metabólico e a atuação/prevenção de problemas que possam surgir é a melhor maneira de manter uma vida sexual plena e satisfatória para as pessoas que sofrem de diabetes.

Para quaisquer questões sobre diabetes, consulte sempre o seu profissional de saúde.

Adaptado do artigo de abbottdiabetescare.es:

Ana Rosa Jurado
Doutora em Medicina. Mestrado em Sexologia.
Coordenadora do Grupo de Atenção à Mulher e Secretária do Grupo de Sexologia de SEMERGEN. Academia Espanhola de Sexologia e Medicina Sexual.

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