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Características

A Diabetes Mellitus tipo 2 na criança e adolescente

Os casos de diabetes diagnosticados em crianças e jovens, em Portugal, são predominantemente de Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). No entanto, a nível mundial a incidência de novos casos de Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2) em crianças e jovens tem vindo a aumentar.Ao longo deste artigo, procurar-se-á refletir sobre a DM2 nas crianças e adolescentes, assim como nas perspetivas de saúde que isso acarreta para os mesmos.A DM2 é uma doença muito diferente da Diabetes Mellitus tipo 1 (DM1). Zeitler, P. et al (2014) procuram definir a DM2 como uma doença crónica em que a secreção de insulina por parte do pâncreas é inadequada para fazer face às necessidades do corpo, que estão aumentadas devido à insulinorresistência, gerando um défice de insulina e, com isso, valores de glicemia elevados (hiperglicemia). Muitas vezes é igualmente acompanhada de outras alterações metabólicas características da insulinorresistência, tais como a dislipidémia, hipertensão, síndrome do ovário poliquístico e fígado gordo. Assim, aborda-se este tema como um síndrome metabólico.É igualmente importante referir que nas crianças e jovens com DM2 a perda de função das células beta é mais rápida que nos adultos.Contrariamente à DM1, na DM2 não existe um processo autoimune que altere a produção de insulina por parte do pâncreas. Essa alteração na produção resulta numa combinação de fatores ambientais, sociais e genéticos do próprio indivíduo. A alteração dos hábitos de vida, como uma alimentação pouco saudável ou o sedentarismo, são fatores determinantes para o aparecimento da DM2. Assim, a DM2 pode ser prevenida, principalmente quando se atua ao nível da alteração dos estilos de vida. Nesse sentido, a educação nas escolas, no seio familiar e com os pares é uma arma poderosa para a adoção de estilo de vida mais saudáveis que ajudarão a prevenir a DM2 mais tarde na vida destas crianças e jovens.A insulinorresistência é caracterizada por Zeitler, P. et al (2014) e McGavock, J. e Hatch, G. (2015) como uma alteração da resposta do corpo à insulina, isto é, o corpo não consegue utilizar a insulina com a eficácia que devia. Isso origina efeitos ao nível do metabolismo da glicose, lípidos e proteínas. Esta insulinorresistência pode ocorrer ao nível do fígado, músculo esquelético, tecido adiposo e algumas áreas do cérebro.Sabe-se também que a insulinorresistência está aumentada durante a puberdade, gravidez, fase luteinica do ciclo menstrual, pessoas com muita gordura visceral, dieta rica em gorduras, sedentarismo e idade mais avançada.Por outro lado, Zeitler, P. et al (2014) e Fornari, A. et al (2015) referem que as pessoas que nasceram com baixo peso para a idade gestacional (<2500gr), têm risco aumentado para desenvolver obesidade e síndrome metabólico característico da DM2. Atribuindo-se assim uma estreita ligação entre o desenvolvimento de insulinorresistência, a diminuição do crescimento intrauterino, desenvolvimento pancreático, diminuição da massa muscular e o risco de puberdade precoce.O desenvolvimento de excesso de peso, obesidade e inatividade durante a adolescência tem igualmente sido associados a um aumento da insulinorresistência.A ADA evidencia que a incidência e prevalência da DM2 nos adolescentes tem vindo a aumentar em grande escala. No mesmo sentido, a World Health Organization (WHO) publicou dados sobre a prevalência de excesso de peso em crianças de 13 anos, e em Portugal esta ronda os 25%, um dos piores resultados na região europeia da WHO.A Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015) enuncia que a prevalência da DM2 em adultos de acordo com Índice de Massa Corporal (IMC) é de: IMC<25 – 6.9%, 25<IMC<30 – 13%,IMC>30 – 20.7%, o que demonstra a estreita ligação entre o excesso de peso e a obesidade e a DM2.McGavock, J. e Hatch, G. (2015) enunciam que no Canadá a DM2 tem vindo a aumentar nas crianças e adolescentes 50% mais rapidamente do que a DM1. Pozzili, P. e Guglielmi, C. (2009) referem que os casos de DM2 têm vindo a aumentar significativamente na Europa devido ao excesso de peso e alteração dos estilos de vida, nomeadamente na alimentação e na prática de exercício físico.Segundo a WHO, o excesso de peso e a obesidade contribuem para a diminuição da esperança média de vida, afetando a qualidade de vida, bem-estar e o aparecimento de doenças. Este tem-se tornado numa prioridade em saúde pelo aumento exponencial de casos que têm ocorrido em todo o mundo. Este aumento tem-se devido a alterações sociais, nomeadamente ao nível de adoção de novos comportamentos alimentares e de exercício físico menos saudáveis. Por outro lado, a DM2 nos países ocidentais está associada a estratos socioeconómicos mais desfavorecidos.   criancas-diabetescriancas-diabetescriancas-diabetes

Existe um grande número de pessoas que apesar de não terem critérios para diagnóstico de DM2, têm valores de glicemia alterados e que não podem ser considerados normais. Nestas pessoas há um elevado risco para a progressão deste estado denominado de pré diabetes para a DM2. No caso de Portugal por exemplo, segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015), na população entre os 20-79 anos, cerca de 13,1% das pessoas têm diabetes, sendo que 5,7% destes indivíduos não sabem que a têm. Este é o grande problema que a DM2 acarreta, pois a sua presença sem tratamento pode facilitar a progressão para complicações associadas que originam perda da qualidade de vida e bem-estar. 

  • Obesidade, alimentação inadequada e inatividade física;
  • Envelhecimento;
  • Resistência à insulina;
  • História familiar de diabetes;
  • Ambiente intrauterino deficitário (crianças com baixo à nascença ou grande para a idade gestacional);
  • Etnia

Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015)

McGavock, J. e Hatch, G. (2015) e Zeitler, P. et al (2014) destacam que a prevenção passa pela adoção de estilos de vida mais saudáveis, como exercício físico e alimentação saudável. O exercício ajuda na prevenção das alterações do músculo esquelético, disfunção mitocondrial, a diminuir insulinorresistência, a reduzir o risco de doença cardiovascular, a contribuir para a perda de peso e a melhorar o bem-estar.
É uma doença com origem autoimune na qual a glândula supra-renal perda a capacidade de produzir glucocorticoides e mineralocorticoides, nomeadamente de cortisol e aldosterona. A incidência desta doença é de cerca de 0,5-2% na população com DM1.O seu tratamento passar para administração de corticosteroides, que têm efeito no controlo glicémico, pois aumentam os níveis de glicose no sangue.

  • Educação para o autocontrolo,
  • Normalização da glicemia,
  • Perda de peso,
  • Redução da ingestão de HC e do aporte calórico,
  • Aumento da atividade física,
  • Controlo das comorbilidades (hipertensão, dislipidemia, nefropatia, alterações do sono e estenose hepática).

Zeitler, P. et al (2014)De acordo com Zeitler, P. et al (2014) o tratamento deve passar pela alteração dos estilos de vida, devendo o tratamento farmacológico incluir um medicamento que atua na insulinorresistência, insulina ou a conjugação dos dois. A abordagem terapêutica vai depender dos sintomas que a pessoa apresentar, a severidade da hiperglicemia e a existência ou não de corpos cetónicos positivos.Tendo em conta tudo o que foi abordado, resta-nos refletir sobre o impacto que a DM2 tem nas crianças e jovens, nas suas famílias e na sociedade em geral.Em primeiro lugar, o número de casos de DM2 em Portugal em adultos tem vindo a aumentar pelo que não se pretende o mesmo nas crianças e jovens, pois serão eles os adultos de amanhã. Muitas ações têm vindo a ser tomadas nesse sentido, nomeadamente junto das escolas e das entidades onde as crianças passam mais tempo, como clubes ATL’s entre outros. A alteração dos programas curriculares nas escolas, a oferta de refeições mais saudáveis ou a promoção da prática de exercício físico têm sido soluções muito úteis, não só na prevenção da DM2, como também na aquisição de conhecimentos sobre estilos de vida mais saudáveis, que depois as crianças e jovens levam para casa, podendo contribuir para um contexto mais saudável no seio familiar.Por outro lado, as entidades europeias têm vindo a agir no sentido de travar este crescente número de casos, através da elaboração de projetos de intervenção ao nível das crianças e jovens. Um desses casos é o PRESTART que é um estudo piloto a decorrer em 5 países europeus, que visa implementar estratégias de prevenção da DM2 nos adolescentes. Um dos parceiros é a APDP que irá contribuir no desenvolvimento dum questionário de avaliação de risco de DM2 em adolescentes, em Portugal e implementação de um programa de intervenção em meio escolar para crianças e jovens identificados com risco de diabetes.Noutro sentido, os organismos governamentais e as entidades de saúde têm procurado estar cada vez mais presentes na sociedade para dar visibilidade e trabalhar a consciencialização da população sobre esta temática.Por último os custos inerentes à DM2 são um dos fatores que mais preocupam as entidades de saúde. Os custos humanos são muito elevados, pois as complicações causam perda de qualidade de vida, bem-estar e anos de vida.Economicamente, o custo também é muito elevado. Se pensarmos no tempo que as pessoas com complicações estarão incapacitadas para trabalhar e realizar as suas tarefas quotidianas, por outro lado o tratamento das complicações é muito dispendioso. É importante referir que segundo a Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015) as despesas de saúde com Diabetes representam 0,9% do PIB, o que revela o fardo económico que acarreta para a sociedade.Assim, podemos concluir que a DM2 pode ser travada e prevenida e que dois pontos essenciais são a sua prevenção em pessoas mais novas, como é o caso das crianças e jovens. Noutro ponto de vista, são estas crianças e jovens, saudáveis, os melhores veículos para alteração de comportamentos de saúde, e que podem fazer toda a diferença no seu seio familiar, comunitário e social.

American Diabetes Association (2016). Classification and Diagnosis of Diabetes. Diabetes Care, volume 39 (Suplemento 1), P.S13-S22;Fornari, A. et al (2015). Type 2 diabetes in children, adolescents and young adults: association of birth weight, gestacional age and metabolic syndrome. Diabetology Metabolic Syndromes, volume 7 (suplemento 1), A-152;Maahs, D. e Shalitin, S. (2016). Diabetes technology and therapy in the Pediatric Age Group. Diabetes, Technology & Therapeutics, volume 18 (suplemento 1), P. S-86-S100;McGavock, J. e Hatch, G. (2015). Stemming the tide of type 2 diabetes in youth: DREAMing big, one sandbag at a time. Biochemistry and Cell Biology, volume 93, P.423-424;Pozzili, P. e Guglielmi, C. (2009). Double diabetes: A mixture of type 1 and type 2 diabetes in Youth. Endocrine Involvement in developmental syndromes, volume 14, P.151-166;Sabin, M. et al (2015). Insulin and BMI as Predictors of Adults type 2 diabetes mellitus. Pediatrics, volume 135, Assunto 1;Sociedade Portuguesa de Diabetologia (2015). Diabetes: Factos e Números 2015 – Relatório Anual do Observatório Anual da Diabetes;World Health Organization (2013). Methodology and Summary: Country profiles on nutrition, physical activity and obesity in the 53 WHO European Region Member States;Zeitler, P. et al (2014). ISPAD Clinical Practice Consensus Guidelines 2014 Compendium: Type 2 diabetes in the child and adolescent. Pediatric Diabetes, volume 15 (Suplemento 20), P. 26-46. 
   


AUTOR:Duarte MatosEnf. Duarte Matos,Enfermeiro da Pediatria da APDP   

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